O que é Milk Run e quais as vantagens para a operação logística

O que é Milk Run e quais as vantagens para a operação logística

Conforme o mercado cresce há uma necessidade de conseguir diferenciação de mercado, conseguir otimizar, automatizar, reduzir custos. A gestão logística está diretamente ligada a esse fato e também se reinventa para que a inovação garanta o crescimento da empresa. Nesse artigo falaremos o que é o sistema Milk Run e quais as suas vantagens para a operação logística.

O Milk Run é um sistema que nasceu dessa necessidade de inovação e eficiência atrelado à redução de custos.

O que é Milk Run?

Milk Run significa “Corrida do leite”. É um método de otimização do fluxo de entrada de materiais para a produção, que visa deixar o processo produtivo e a gestão da cadeia de suprimentos alinhadas e sincronizadas com a logística.

Vamos à origem. O nome não é por acaso, o Milk Run consiste no transportador coletar o leite em mais de uma fazenda para só depois de realizar todas coletas, realizar a entrega. Ou seja, o transportador aproveita a viagem de uma coleta de leite para coletar mais leite em outras fazendas. Tanto a coleta quanto a entrega, tem seus horários combinados. Permitindo dessa, forma a produção de produtos “just in time”.

O sistema era originalmente adotado pelas fazendas nos Estados Unidos e ainda é utilizado pelos produtores de leite, inclusive no Brasil, onde algumas vezes na semana o transportador passa para realizar a coleta do leite nas fazendas daquela região.

E tornou-se amplamente utilizado pela indústria automobilística.

Como o sistema Milk Run funciona?

Como dito acima, o Milk Run conta com um único veículo realizando uma ou mais rotas para realizar a coleta dos materiais/produtos em pontos de distribuição, onde já foram previamente agendados. 

Para que o sistema seja efetivo, a coleta é feita respeitando a roteirização e horários estabelecidos para a coleta. Com as coletas concluídas, o transportador finaliza a entrega no destino final. Veja o exemplo abaixo.

Quando as empresas migram do sistema tradicional de compras para o sistema Milk Run estão buscando redução de custos e saem de um sistema de compras CIF para um sistema FOB. Ou seja, é empresa que recebe os produtos que é a responsável pelo frete, em vez do fornecedor. O primeiro ponto para a redução de custos é no frete, justificando essa troca.

Para saber mais sobre CIF e FOB leia o artigo “Frete CIF e frete FOB: O que é e quais as diferenças?”.

Principais vantagens do sistema Milk Run

A implantação do Milk Run na gestão da cadeia tem alguns objetivos específicos a serem alcançados na operação, adotando o Just in Time como metodologia de trabalho, são eles:

Redução de custo do frete

Reduzir o custo do frete ao utilizar a capacidade máxima de transporte do veículo, além da melhor rota possível para a coleta das mercadorias;

Giro de Estoque

Aumentar o giro de estoque de forma concomitante com o aumento da frequência de abastecimento. Abastecendo o cliente (neste caso, a montadora usada como exemplo inicialmente) com os produtos necessários, na quantidade solicitada e na data acordada;

Melhor organização do espaço fabril

Diminuir a quantidade de veículos e melhorar sua organização dentro das dependências da fábrica/ montadora. Ao coletar os produtos em cada um dos fornecedores, ocorre a redução da quantidade de veículos para realizar o suprimento de mercadorias na montadora.

E ao considerar que cada veículo que realiza a coleta, já tem um horário pré-estabelecido para realizar as entregas, a montadora tem um melhor controle de atendimento, recebimento e descarregamento desses produtos, gerando assim uma redução de custos também nos equipamentos e colaboradores para fazê-lo;

Otimização de tempo

Nivelamento do fluxo para recebimento das entregas, além de eliminar o tempo ocioso tanto nos fornecedores, quando na montadora, enquanto o veículo está realizando a coleta ou a entrega;

Giro de estoque para fornecedores

Aumento no giro de estoque também para os fornecedores, pois com os dias programados para as coletas, eles podem se programar para gerenciar seus níveis de estoque e adequar as produções das mercadorias; 

Melhoria na gestão de embalagens

Melhoria na gestão das embalagens reutilizáveis. As embalagens naturalmente são padronizadas e o fornecedor é abastecido de acordo com sua necessidade e principalmente, em função das janelas de coleta das peças. Assim, os fornecedores conseguem prever a quantidade de embalagens necessárias para atender o fluxo de coletas da montadora.

Redução de avarias

Economia gerada ao reduzir as avarias de produtos durante o transporte. Com a padronização de embalagens, de veículos e datas específicas para coleta, a avaria de produtos é reduzida significativamente.

Através de estudos para organizar o layout do veículo, ou seja, organizar as cargas dentro do mesmo, além do treinamento e qualificação das pessoas que atuarão periodicamente naquela operação, como motorista do veículo e o motorista de empilhadeira, tanto do fornecedor quanto da montadora.

Pontos importantes para acordar ao implantar o Milk Run

A seguir, falarei de alguns pontos importantes que precisam estar equalizados, tanto para a montadora, em seu papel de cliente, quanto para os fornecedores e os operadores logísticos, se existirem na relação. Tudo isso para que o Milk Run funcione perfeitamente, trazendo maior fluidez e valor agredado na gestão da logística integrada.

1) Os fornecedores precisam estar próximos (em média a 100 km de distância) de seus clientes, sejam eles montadoras ou indústrias, para que o sistema performe perfeitamente. 

Caso não seja possível, será necessário um ponto para o agrupamento e consolidação das cargas para só então, ser transportado para o cliente. Inclusive, esta alternativa é amplamente utilizada no exterior.

2) Como mencionada anteriormente, é preciso que seja feita a padronização da embalagem. E caso seja feita alguma alteração das embalagens, é preciso que seja comunicado e acordado entre todas as partes, pois as embalagens utilizadas podem influenciar diretamente na capacidade de transporte do veículo, podendo assim aumentar ou diminuir a eficiência da operação. Lembrando que este sistema utiliza as embalagens retornáveis.

3) O operador logístico, ou os responsáveis por realizar a coleta, o transporte e a descarga da mercadoria, deverão cumprir os prazos acordados entre as partes para que o processo seja convertido em redução de custos. Caso contrário, resultará em ociosidade entre as partes.

4) O cliente, ou seja, a montadora ou fábrica, precisará fornecer as demandas dos produtos, bem como suas especificações e sua necessidade de reabastecimento em determinados períodos de tempo.

Para o fornecedor, estas informações terão utilidade para programar a produção de suas peças, para que seja feita de acordo com as demandas do cliente.

Já para o transportador ou operador logístico, essas informações servirão para planejar e programar a coleta das peças, sempre buscando o menor custo operacional possível e aproveitando ao máximo a capacidade de transporte do veículo.

5) A montadora ainda, deve ter um conhecimento exato sobre suas demandas de produtos, para que não ocorra a produção em excesso ou sobras de produtos durantes os pedidos programados.

6) Já os fornecedores, deverão produzir as peças sempre de acordo com a demanda pré-estabelecida, caso contrário, o veículo poderá não conseguir transportá-las em função do volume ou do peso. 

E caso caiba, sem dúvidas, afetará a capacidade de coleta das peças do próximo fornecedor, causando uma desconfiguração da cadeia de suprimentos. Outra consequência da produção em excesso é o aumento dos níveis de estoque no próprio fornecedor.

7) Os fornecedores também precisarão produzir as peças dentro do nível de qualidade acordadas com o cliente.

O fornecimento Just in Time atrelado ao Milk Run

Just in Time (significa “momento certo”), tem como objetivo produzir a quantidade exata de produtos de acordo com a demanda de seus clientes, com a qualidade desejada e, sem a necessidade de formação de estoque e ainda, com a entrega no tempo solicitado pelo cliente, dessa forma o nome “Just in Time”.

O Just in Time gera um grande impacto na cadeia de abastecimento, a ponto de movimentar apenas a matéria-prima necessária para a fabricação dos produtos no tempo necessário. 

Variáveis

Há características distintas e algumas variáveis a ser analisadas sobre os tipos de canais de suprimentos, antes da implantação dos sistemas. Abaixo as principais:

Canal direto: modelo onde os fornecedores entregam os produtos direto na fábrica/montadora através de um modal que beneficie a operação.

Montagem: modelo onde os fornecedores entregam os produtos em um operador logístico ou depósito para consolidação de cargas. Em alguns casos, a partir desses produtos são gerados os subconjuntos, ao montá-los com outros produtos de outros fornecedores. E em seguida, para serem enviados ao destino final, à montadora.

Milk Run: sistema onde um transportador ou operador logístico se utiliza de um veículo com uma roteirização feita, atrelada a uma data e horário pré-acordado, para a coleta com os fornecedores também, pré-determinados para só então, realizar o carregamento no cliente.

Por fim, é válido ressaltar que há várias alternativas de transporte que podem ser adotadas dentro dessas estruturas.

  • Terceirização do transporte: Como a contratação de transportadoras e empresas especializadas. Ou ainda, empresas de tecnologia, no modelo de HUB de transporte digital, onde fornecem além das opções de entrega, permitem a gestão e rastreio das encomendas.
  • Utilização de frota própria do cliente.
  • Utilização de cargas lotadas (FTL – Full TruckLoad).

O Milk Run é o caminho para a implantação do Just in Time, tanto para a indústria automobilística, quanto para outros casos que tenham as mesmas necessidades. Ambos demandam um grau forte de comunicação entre o cliente e os fornecedores. Além da gestão da logística integrada que precisa estar totalmente azeitada e equalizada.

Espero que o conteúdo tenha sido útil. Caso tenha dúvidas, deixe um comentário.

Líder de marketing e autor no blog da Frete Rápido, especialista em e-commerce e pós-graduado em marketing estratégico digital. A Frete Rápido é o primeiro HUB de transporte digital da América Latina, conecta embarcadores, empresas B2B, B2C e D2C, como indústria e-commerce e varejo, a transportadoras para que façam negócio entre si. Além disso, automatiza os processos da Pré-venda, Pós-venda, Gestão e Tracking.

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